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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Duas Almas

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!


Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

Alceu Wamosy

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Here’s to the Men Who Lose


Here’s to the men who lose!
What though their work be e’er so nobly planned,
And watched with zealous care,
No glorious halo crowns their efforts grand;
Contempt is failure’s share.

 Here’s to the men who lose!
If triumph’s easy smile our struggles greet,
Courage is easy then;
The king is he who, after fierce defeat,
Can up and fight again.

Here’s to the men who lose!
The ready plaudits of a fawning world
 Ring sweet in victors’ ears,
The vanquished’s banners never are unfurled;
For them sound no cheers.

Here’s to the men who lose!
The touchstone of true worth is not success;
There is a higher test —
Though fate may darkly frown, onward to press,
And bravely do one’s best.

Here’s to the men who lose!
It is the vanquished’s praise that I sing,
And this is the toast I choose:
‘A hard-fought failure is a noble thing!
Here’s to the men who lose!’

 -George L. Scarborough

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

The Island

Islands of bliss and everlasting youth,
Floating like flowers on an endless sea,
And never touched by sorrows from this world -
Such happy islands thou wilt never see.

Behold: what thou hast dreamed of may be real;
It is not elsewhere, it is what thou art
If thou remember'st God; then thou wilt find
The golden island in thy deepest heart.

The singing of a flute came from the sea:
The waters vanished, and the Flute was Me.

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Ilhas de felicidade e eterna juventude,
Flutuando como flores num mar infindo
E jamais tocadas por pesares deste mundo -
Tais Ilhas Abençoadas tu nunca encontrarás.

Vê: o teu sonho pode ser real;

Ele não está alhures, ele é o que és
Se lembras de Deus; então encontrarás
A ilha dourada no fundo de teu coração.

O canto duma flauta vinha do mar;

As águas sumiram, e a Flauta era Eu.


Frithjof Schuon

domingo, 17 de maio de 2009

Adeus de 'Norte e Sul'









"E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.

Cai neve na natureza...
- E cai no meu coração."

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In English:"And an infinite sadness, a deep commotion, enters me and in me stays. Snow falls outside in nature... - and it falls within my heart."

Cena de Norte e Sul: Margaret está indo embora de Milton, e Mr. Thornton olha-a pela janela enquanto ela entra no cabriolé. Ele sabe que não se encontrarão de novo; e todo o seu ser parece concentrar-se no desejo de ver o rosto dela ainda uma última vez. "Olhe para trás. Olhe para mim..." E a neve cai...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Um verso de William Wordsworth


"A mais humilde florinha pode trazer pensamentos que não raro são profundos demais para lágrimas."

Wordsworth

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"The meanest flower that blows can give thoughts that do often lie too deep for tears."


(Na foto Richard Armitage como Mr. Thornton, na minissérie North & South.)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Mientras... ¡habrá poesía!


"Mientras haya unos ojos que reflejen
los ojos que los miran,
mientras responda el labio suspirando
al labio que suspira,
mientras sentirse puedan en un beso
dos almas confundidas,
mientras exista una mujer hermosa,
¡habrá poesía!"

(Última estrofe da Rima IV de Bécquer; a foto é da minissérie North & South (2004), da BBC.)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Rondel de l’adieu

Partir, c’est mourir un peu,
C’est mourir à ce qu’on aime,
On laisse un peu de soi-même
En toute heure et dans tout lieu.

C’est toujours le deuil d’un voeu,
Le dernier vers d’un poème:
Partir, c’est mourir un peu.

Et l’on part, et c’est un jeu,
Et jusqu’à l’adieu suprême
C’est son âme que l’on sème,
Que l’on sème à chaque adieu:
Partir, c’est mourir un peu.

Edmond Haracourt

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Balada da Neve


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim…
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e chuva não bate assim…

É talvez a ventania.
Mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bolia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate assim levemente
com tão estranha leveza
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. E neve caía
do azul cinzento do céu
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, meu Deus!

Olho-a através da vidraça,
pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e quando passa
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pèzitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
A neve deixa inda vê-los
primeiro bem definidos,
depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
por que lhes dais tanta dor?...
por que padecem assim?...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza…
– E cai no meu coração.


Augusto Gil
(poeta português, 1873 - 1929)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Soneto


Voltei. Vi-te de novo. E o encanto, a que não tento
fugir agora, aviva o que findara aqui;
dói-me, outra vez, o mesmo estranho sofrimento
da hora em que te deixei, do instante em que parti.

Quis esquecer-te. Olhando o mar, ouvindo o vento,
sonhei. Vivi com ânsia! Em vão. Não te esqueci.
E é com tédio que lembro o túrbido lamento
das ondas que sulquei e das canções que ouvi!

De que valeu então? Sob o amplo firmamento,
fora melhor vogar sem rumo, ao ritmo lento
da água que, à noite, geme e, à luz do sol, sorri!

E olvidar para sempre o antigo desalento!
E este anseio de enfermo! E este letal tormento!
E o desejo da morte! E a saudade de ti!

Eduardo Guimaraens

Na foto, Ciaran Hinds como Captain Wentworth, no filme inglês Persuasão (Sony Pictures, 1995), baseado no romance de Jane Austen.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Tão perto...

So nah, dass ich könnte mein Bild in ihrem Augen sehen....

Esta é para os que gostam da "cena da estação", do Norte e Sul. A legenda é de um poema de Walther von der Vogelweide, poeta medieval alemão. Ele diz que desejaria ter permissão de estar perto de sua amada, "tão perto, que eu pudesse ver minha imagem nos seus olhos." Achei que este verso combinava perfeitamente com a imagem.

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This one is for those who love North & South's "train station scene". The line is from a poem by Walther von der Vogelweide, a German poet of the Middle Ages. In it he says that he longs to be allowed to be near his beloved, "so near, that I could see my image in her eyes." I thought this line suited the image perfectly.