segunda-feira, 4 de maio de 2015

Duas Almas

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!


Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

Alceu Wamosy

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Here’s to the Men Who Lose


Here’s to the men who lose!
What though their work be e’er so nobly planned,
And watched with zealous care,
No glorious halo crowns their efforts grand;
Contempt is failure’s share.

 Here’s to the men who lose!
If triumph’s easy smile our struggles greet,
Courage is easy then;
The king is he who, after fierce defeat,
Can up and fight again.

Here’s to the men who lose!
The ready plaudits of a fawning world
 Ring sweet in victors’ ears,
The vanquished’s banners never are unfurled;
For them sound no cheers.

Here’s to the men who lose!
The touchstone of true worth is not success;
There is a higher test —
Though fate may darkly frown, onward to press,
And bravely do one’s best.

Here’s to the men who lose!
It is the vanquished’s praise that I sing,
And this is the toast I choose:
‘A hard-fought failure is a noble thing!
Here’s to the men who lose!’

 -George L. Scarborough

domingo, 7 de setembro de 2014

A thing of beauty

"A thing of beauty is a joy forever..." (Keats)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Valsa de "A Viúva Alegre"

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Gostaria de compartilhar com todas as almas românticas esta bela declaração de amor, extraída da ópera A Viúva Alegre, de Franz Lehár. Aqui a cena é representada pelos atores britânicos Jeremy Brett e Lesley "Twiggy" Lawson.

A letra é a seguinte:

Love unspoken, faith unbroken,
All life through.
Strings are playing, hear them saying,
"Love me true."

Now the echo answers,
Say you love me too.
All the world's in love with Love,
And I love you.

I hear the music play,
It carries me away;
All sorrow will have flown,
When you are mine, and mine alone.

So that music seems to sing,
While still not saying anything;
It's wanting you to know
I love you so.

Now the echo answers,
Say you love me too.
All the world's in love with Love,
And I love you.

sábado, 28 de janeiro de 2012

El Cid: um filme notável


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Não achemos que um filme é sem graça e ultrapassado só porque foi feito na década de '60. Em poder de convencimento, El Cid não fica aquém dos mais caprichados filmes de hoje, com suas trilhas sonoras envolventes e seus efeitos especiais. Ele convence e encanta porque, além de ser tecnicamente perfeito, tem o segredo insubstituível dos filmes imortais: uma boa história.
El Cid é a história de um homem com "visão para ser justo e coragem de ser misericordioso". Uma história de nobreza e romance, transformada em filme nos tempos em que os cineastas não tinham medo de mostrar a cruz, um homem rezando, e religiões diferentes convivendo em harmonia.
O enredo, simplificado, é este: um guerreiro cristão na Espanha medieval tenta manter o reino unido e estabelecer a paz, contando para isso com a ajuda de príncipes muçulmanos. Juntos, eles devem impedir que a Espanha seja dominada pelos mouros vindos da África. Mas ele tem inimigos dentro do próprio reino, incluindo seu jovem rei.
Este filme ensina sobre coragem e sabedoria, sobre amor, amizade e inimizade, sobre vingança e sobre perdão - sobre viver e morrer com honra.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

The Island

Islands of bliss and everlasting youth,
Floating like flowers on an endless sea,
And never touched by sorrows from this world -
Such happy islands thou wilt never see.

Behold: what thou hast dreamed of may be real;
It is not elsewhere, it is what thou art
If thou remember'st God; then thou wilt find
The golden island in thy deepest heart.

The singing of a flute came from the sea:
The waters vanished, and the Flute was Me.

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Ilhas de felicidade e eterna juventude,
Flutuando como flores num mar infindo
E jamais tocadas por pesares deste mundo -
Tais Ilhas Abençoadas tu nunca encontrarás.

Vê: o teu sonho pode ser real;

Ele não está alhures, ele é o que és
Se lembras de Deus; então encontrarás
A ilha dourada no fundo de teu coração.

O canto duma flauta vinha do mar;

As águas sumiram, e a Flauta era Eu.


Frithjof Schuon

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Parque no Inverno


É inverno; contudo, vêem-se flores por toda parte. Por que não? Estamos afinal nos trópicos, onde 'inverno' é só um apelido para a estação seca, e onde há flores o ano todo.

Ao longo da grade do parque floriem lindas primaveras, brancas, douradas, vermelho vinho. Dentro, o grande ipê, que durante breves dias vestiu-se em glória cor de rosa, estende agora humilde e generoso um tapete de flores para os que passam a seus pés. O cipó-de-são-joão, ajudado por árvores amigas que o sustentam, enfeita-as derramando-se em cascatas de florinhas cor de laranja; e as altas quaresmeiras começam a espargir o caminho com a púrpura de suas pétalas.

Não longe delas, no jardim defronte a uma das belas e antigas construções do parque, há três pequenas árvores nuas. Têm talvez apenas a altura de um homem. Na ponta de seus galhos mirrados restaram umas poucas folhas, secas, retorcidas, que não tiveram nem força para cair ao chão.

São três pequenos carvalhos. Noutras terras seriam altos, grandes, majestosos; aqui, não se desenvolveram. Jamais se desenvolverão. Como o poderiam? Lá no seu âmago, roi-os uma incurável saudade: a das neves no inverno, do renascer das primaveras, dum bosque onde agora é verdejante verão. Eles nunca conheceram nada disso; mas sem saber trazem a lembrança em si, e essa falta é o que os impede de crescer. Em meio às flores coloridas, e às vetustas árvores copadas, serão sempre pequenos e sem vigor.

Pobres carvalhos exilados! Pobres homens! Quantos de nós não somos como eles, dia a dia definhando, pela falta de algo ou de alguém de quem lembramos sem contudo o perceber?